DOR NAS NÁDEGAS TEM TRATAMENTO!

A dor nas nádegas OU dor glútea é um sintoma muito comum, principalmente nos quadros de dor lombar e dor ciática.

No entanto, a dor glútea é apenas um sintomas com diversas causas e estruturas envolvidas:

– coluna lombosacra
– articulação sacroilíaca
– articulação do quadril
– músculos glúteos
– fáscias que envolvem a cintura pélvica

Na prática clínica, costuma-se dividir a dor glútea em quadrantes  a partir da espinha ilíaca posterosuperior:

 

Dor glútea Anatomia óssea da pelve e do fêmur proximal direito com a divisão em quadrantes.
Anatomia óssea da pelve e do fêmur proximal direito com a divisão em quadrantes.

A – Quadrante súpero-medial
B – Quadrante súpero-lateral
C – Quadrante ínfero-lateral
D – Quadrante ínfero-medial

A – Dor Glútea no Quadrante súpero-medial
As estruturas palpáveis de interesse no quadrante súpero-medial (A) são:
– Processo espinhoso L4 e L5
– Interlinha articular da sacroilíaca
– pontos gatilhos miofasciais

As dores originárias do quadrante súpero-medial do glúteo podem se originar frequentemente da coluna lombosacra e da articulação sacroilíaca. Sendo essencial a pesquisa de sinais de compressão radicular (Lasegue, teste de elevação da perna reta), bem como testes de estresse da articulação sacroilíaca (Gaenslen, compressão da coxa, compressão do sacro e FABERE).

Em casos selecionados devem ser submetidos à métodos de investigação por imagem (ressonância magnética de coluna lombosacra e articulações sacroilíacas) e até mesmo eletroneuromiografia. Os distúrbios mais frequente nesta região são:

DOR LOMBAR AGUDA POR LESÃO MÚSCULO-LIGAMENTAR

A lombalgia aguda é causada comumente por contração muscular excêntrica vigorosa. Geralmente a lesão é próxima à transição miotendínea. Além disso, pode ocorrer lesão do ligamento ilio-lombar que produz dor lombar e dor glútea, podendo inclusive simular distúrbios sacroilíacos.

DOR LOMBAR CRÔNICA E DOENÇA DISCAL DEGENERATIVA

Os discos degenerados apresentam uma diminuição de altura, aumento do abaulamento posterior e lateral, menor capacidade de dissipar as forças de compressão. Como resultado, ocorre uma sobrecarga anormal das facetas articulares, maior estresse sobre os ligamentos e músculos adjacentes, espessamento ligamento amarelo e formação de osteófitos (popularmente conhecidos como “bico-de- papagaio”).

Os fatores de risco incluem obesidade, sedentarismo, permanecer longos períodos numa mesma posição,  tarefas que necessitem a inclinação e o levantamento de peso ou exposição a vibrações repetitivas.

Uma queixa típica é que a dor na região lombar, se irradia para as nádegas. Ocaionalmente a dor pode se irradiar para a região posterior da coxa.

Geralmente, a dor aumenta nas atividades de elevação de pesos ( flexão do tronco) e inclinação, diminuindo quando o paciente se deita e depois do repouso noturno. Sintomas ansiosos e depressivos podem agravar o quadro de dor crônica.

O exame físico demonstra uma quadro de sensibilidade e dor à palpação da região lombar e sacroilíaca. O exame neurológico geralmente é normal, pode ocorrer limitação à flexão e extensão do tronco. Tratamento de reabilitação de excelência é a primeira linha terapêutica

RADICULOPATIA

A radiculopatia caracteriza-se pela compressão ou irritação da raiz dos nervos que saem da coluna. Este quadro pode ocorrer devido a resposta inflamatória iniciada por várias citocinas liberadas pelo núcleo pulposo (porção central do disco intervertebral) e/ou por compressão mecânica do nervo por uma hérnia de disco, bicos de papagaios (osteófitos) ou até espessamento dos ligamentos circundantes.  Causas menos frequentes são: tumor e infecção.

Os pacientes com hérnia discal lombar tipicamente são mais jovens e adultos de meia-idade que apresentam uma história de dor lombar prévia agudamente exacerbada por um episódio de inclinação, giro ou levantamento de peso. Mais de 90% das hérnias lombares ocorrem póstero-lateralmente em L4-L5 e L5-S1, com subsequente compressão dos nervos L4, L5 e S1.

Os sintomas são variáveis, depende da raiz nervosa comprometida. O aumento da pressão ou a distensão sobre o nervo comprimido exacerba a dor. A dor é também agravada por atos como o de sentar, espirrar, tossir e com o levantamento de peso. O tratamento de reabilitação é mandatório, sendo que as cirurgias devem ser consideradas na presença de disfunção esfincteriana, disfunção sexual, retenção urinária, deficit neurológico progressivo, severa paralisia de raiz nervosa, sintomas radiculares refratários ao tratamento conservador.

Esportes que exigem movimentos torcionais extremos da coluna lombosacra (Tênis e beisebol) aumentam o risco deste tipo de lesão.

DOR SACROILÍACA – DISFUNÇÃO SACROILÍACA

A articulação sacroilíaca une a pelve à coluna e desempenha importante função na transmissão de forças entre a parte superior (tronco) e a parte inferior (membros inferiores) do nosso corpo. Sua hiper ou hipomobilidade pode gerar sintomas dolorosos.

Há muitas forças torcionais aplicadas à pelve quando os membros inferiores se movem numa caminhada ou numa corrida. Estes movimentos torcionais repetitivos geram microtraumas de repetição, com processo inflamatório e degenerativo nesta articulação (sacroileíte mecânica) As atividades esportivas que podem desencadear dor sacroilíaca  são aquelas que envolvem corrida, saltos e mudanças súbitas de direção.

A dor tipicamente acomete o quadrante súpero-medial da nádega. No entanto, também pode acometer a região lombar, a coxa e região lateral do quadril e a região inguinal por causa da extensa inervação local. Na parte posterior, a articulação recebe ramos das divisões posteriores de L4 a S3 e na parte anterior, de L2 a S2.

Ao exame físico, pode-se observar alteração na inclinação pélvica e na curvatura lombar, discrepância de comprimento dos membros inferiores e alteração movimentação pélvica durante o caminhar. Frequentemente existe dor a palpação local e pontos-gatilhos na musculatura adjacente. As manobras provocativas podem ser positivas. O teste da compressão da coxa tem a maior especificidade para o diagnóstico.

O padrão-ouro de diagnóstico é a injeção de anestésico, com desaparecimento dos sintomas. Exames de imagem podem também sugerir, principalmente quando suspeita-se de espondilite anquilosante (homens jovens com acometimento bilateral, sintomas sistêmicos, rigidez matinal).

O tratamento de reabilitação tem como objetivo o controle da dor e do processo inflamatório, estabilização da pelve e fortalecimento muscular, correção de discrepância dos membros inferiores. Em casos refratários ou em casos de dor incapacitante, pode-se indicar injeções locais de corticoides. O alívio da dor ajudará a acelerar a reabilitação.

FRATURA POR ESTRESSE DO SACRO

A fratura de estresse representa de 1 % a 20% das lesões no trauma esportivo, frequentemente relacionado à fraqueza ou fadiga da musculatura local num osso que sofre altas cargas. Acomete mais mulheres jovens com alta carga de treinamento, deficiência nutricional e irregularidade no ciclo menstrual ou ausência de menstruação.

Ao exame físico, observa-se dor à palpação do sacro, exacerbada pelos testes provocativos para articulação sacroilíaca. A fratura é visível na ressonância magnética com 72 horas de evolução.

O tratamento de reabilitação exige proteção de carga no lado acometido até o alívio da dor, deve-se progredir o protocolo de reabilitação para estabilização pélvica e lombar. Depois pode-se avaliar a liberação para atividades de baixo impacto. A prática esportiva é liberada normalmente após 12 semanas.

O médico de reabilitação (Fisiatra) deve investigar e tratar os fatores de risco para distúrbios osteometabólicos, nutricionais e hormonais.

ESPONDILÓLISE / ESPONDILOLISTESE

A espondilólise representa um defeito da par interarticular. Em atletas, a forma traumática  é a mais comum e ocorre em ginastas, jogadores de futebol, bailarinas e levantadores de peso.

A Espondilolistese é o escorregamento de uma vértebra em relação à outra. A espondilólise bilateral é um fator de risco e o escorregamento maior que 25% frequentemente está associado a quadro doloroso.

O tratamento de reabilitação (não cirúrgico) é indicado com sucesso na maioria dos casos. Geralmente o retorno ao esporte ocorre após 6 meses do início da reabilitação. O tratamento cirúrgico é indicado nos casos de dor refratária após 6 meses de tratamento, déficit neurológico ou instabilidade vertebral.

ARTROPATIA FACETÁRIA

As articulações facetárias estão na porção posterior da coluna, entre as vértebras adjacentes. O trauma torcional da coluna, com dor que piora à extensão lombar e que pode irradiar para a região glútea alta, é sugestivo de doença.

B – Dor glútea no Quadrante súpero-lateral

A estrutura palpável de interesse no quadrante súpero-lateral (B) é:
– Margem posterior da crista ilíaca

SÍNDROME DOLOROSA MIOFASCIAL

O distúrbio mais frequente nesse quadrante é a síndrome dolorosa miofascial que acomete os músculos glúteo máximo e médio. A síndrome dolorosa miofascial se caracteriza pela formação de pontos gatilhos dolorosos no ventre muscular ou na inserção fascial. Os pontos gatilhos geralmente estão associados ao trauma agudo e/ou microtrauma de repetição e à fadiga  da musculatura envolvida. Este mecanismo favorece a formação de mais pontos-gatilhos e gera um círculo vicioso patológico da dor persistente.

O diagnóstico é clínico, com método palpatório. O tratamento de reabilitação pode envolver a redução da sobrecarga muscular, terapias manuais de liberação miofascial, cinesioterapia com alongamento e fortalecimento muscular, prescrição individualizada de terapias medicamentosas, procedimentos minimamente invasivos de inativação miofascial (Bloqueio de Fisher associado ao agulhamento seco), Bloqueio de nervo periférico, Aplicação de Toxina Botulínica, etc.

Nos atletas, é essencial investigar lesões musculares agudas e entesopatia das inserções musculares dos glúteos na crista ilíaca. Nos casos refratários, deve-se considerar também a possibilidade de dor irradiada decorrente de compressão nervosa.

C – Dor glútea no Quadrante ínfero-lateral

As estruturas palpáveis de interesse no quadrante ínfero-lateral  (C) são:
– tuberosidade isquiática
– espinha isquiática
– trocanter maior
– pontos gatilhos miofasciais

Neste quadrante, os distúrbios mais frequentes são a lesão na origem dos músculos isquiotibiais, a síndrome dolorosa da região trocantérica, a síndrome do músculo piriforme e a bursite isquiática. Outros diagnósticos: Impacto isquiofemoral/ lesão do músculo quadrado femoral, fratura por estresse no ramo isquiopúbico e tumores do ísquio (os mais frequentes são: osteocondroma e o condrossarcoma).

LESÃO DOS ISQUIOTIBIAIS

A tendinopatia da origem dos isquiotibiais é bastante frequente em corredores de média e longa distância. A  contração excêntrica durante a fase de balanço tardia na corrida associada fraqueza e a fadiga muscular predispõem à lesão. A dor pode ser reproduzida pela palpação da tuberosidade isquiática ou pela flexão passiva do quadril associada a flexão ativa do joelho contrarresistência. A dor localizada distal ao ísquio geralmente está associada à lesão muscular dos isquiotibiais, enquanto que a dor proximal pode estar relacionada à síndrome do piriforme.

Casos de lesões traumáticas extensas (desinserção/ avulsão óssea) e de tendinopatia crônica podem cursar com ciatalgia por irritação química ou mecânica por compressão extrínseca do nervo ciático pelo hematoma.

O tratamento de reabilitação pode necessitar de  terapia medicamentosa, terapia de ondas de choque, injeção de plasma rico em plaquetas (PRP), injeção de corticóides, debridamento cirúrgico. O tratamento cirúrgico é indicado em casos precoces de desinserções ou avulsões ósseas

SÍNDROME DOLOROSA DA REGIÃO TROCANTÉRICA

Habitualmente, os pacientes queixam-se de dor na região lateral e posterior do trocanter maior, agravada quando deita no lado comprometido ou agravada durante a fase de apoio do membro acometido durante a caminhada ou corrida. Pode estar associada ao quadro de dor lombar baixa crônica.

A síndrome envolve vários distúrbios da região peritrocantérica do quadril, tais como:
– Bursite trocantérica
– Tendinopatia/Lesão do glúteo médio e mínimo
– Ressalto externo do quadril

Ao exame físico, ocorre dor à palpação do trocanter maior, com o paciente em decúbito lateral. Além disso, deve-se investigar fraqueza dos músculos estabilizadores da pelve (teste de tredelenburg) e a dor pode ser exacerbada pela contrarresistência à  abdução do quadril acometido (teste de beatty).

O sucesso de um tratamento de reabilitação depende um exame físico detalhado e de condutas individualizadas. O tratamento cirúrgico restringe-se aos casos de dor refratária por ruptura do glúteo médio/mínimo ou ressalto externo (alongamento cirúrgico do trato iliotibial).

SÍNDROME DO PIRIFORME

A síndrome dor piriforme constitui em dor glútea associada a ciatalgia secundária à compressão do nervo ciático, pelo músculo piriforme. Raros casos apresentam alterações neurológicas clínicas ou eletroneuromiográficas. Outras causas de neuropatia também devem ser pesquisadas.

A síndrome dolorosa miofascial pode mimetizar o quadro da síndrome do piriforme, geralmente associada a fraqueza relativa em relação à musculatura glútea.

No paciente, observa-se dor a palpação proximal da espinha isquiática, na região da incisura isquiática maior, sobre o músculo piriforme. Os testes clínicos descritos são Freiberg, Pace, Beatty e o Faduri.

Em alguns casos, indica-se a realização de neurografia por ressonância magnética, para a avaliação completa do nervo ciático, desde a sua formação pelas raízes lombossacra até o seu trajeto pela região glútea e pela coxa. Desta forma pode ser evidenciada a estrutura anatômica exata, responsável pela compressão do nervo.

O tratamento de reabilitação é a primeira linha de tratamento, focado no controle da dor para o adequado o alongamento e fortalecimento muscular dos rotadores externos do quadril e dos glúteos.

Casos refratários devem ser submetidos procedimentos minimamente invasivos de inativação miofascial com anestésicos ou até mesmo toxina botulínica.

A intervenção cirúrgica do piriforme (aberta ou endoscópica) só deve ser indicada após exclusão de outros diagnósticos de dor ciática e após esgotar as possibilidades terapêuticas.

BURSITE ISQUIÁTICA

Consiste na inflamação da bursa, que evita o atrito entre a tuberosidade isquiática e as estruturas musculoesqueléticas. Geralmente , é comum em pacientes que ficam sentados por tempo prolongado e em superfícies duras ou emagrecimento rápido com perda da gordurosa da nádega ao sentar. Em atletas, está associada ao excesso de força da musculatura isquiotibial sobre a bursa e pode aparecer isolada ou associada a tendinopatias dos isquiotibiais. O paciente pode se queixar de dor irradiada para face posterior das coxas.

Ao exame físico, os pacientes sentem dor à palpação da tuberosidade isquiática. A distensão da bursa é o achado presente na ultrassonografia e na ressonância magnética.

O tratamento de reabilitação é a primeira linha de tratamento, para o alívio da dor e melhora da bioquímica nutricional, com o objetivo de reduzir o encurtamento miotendíneo e as compensações em cadeias musculares, inativar pontos gatilhos miofasciais e restabelecer o equilíbrio muscular.

Os casos refratários devem ser avaliados para a indicação procedimentos minimamente invasivos de reabilitação: Bloqueio de Fisher seguido de inativação miofascial com anestésico, Ondas de choque, Infiltração com PRP, entre outros.

Em atletas, casos refratários podem ser submetidos a bursectomia e tenotomia ou desbridamento tendíneo. Devo ressaltar que este tipo de produz alterações biomecânicas nos nosso corpo.

IMPACTO ISQUIOFEMORAL

O quadro de impacto isquiofemoral consiste em sintomas na região glútea associada a redução do espaço isquiofemoral com a consequente compressão do músculo quadrado femoral. O formato da pelve feminina é larga e rasa e predispõe ao quadro de impacto isquiofemoral.

As manobras no exame físico consiste na realização de movimentos sucessivos de rotação interna e externa, visando reproduzir o impacto com o músculo quadrado femoral tensionado.Na ressonância magnética, pode-se observar alterações no ventre muscular do quadrado femoral.

O tratamento de reabilitação deve envolver um protocolo de exercícios de alongamentos, neuroestimulação, meios físicos com ultrassom e infiltrações.O tratamento cirúrgico só deve ser indicado em casos secundários a deformidades femorais ou tumores.

FRATURA POR ESTRESSE NO RAMO ISQUIOPÚBICO

Evolui de modo insidioso de dor na região glútea e associada ao ritmo de treino (intensificação). A dor pode piorar quando fica de pé, com apoio na perna afetada, e dor ao realizar salto unipodal à distância ( Hop Test). O diagnóstico é confirmado pela ressonância magnética.

D – Dor Glútea no Quadrante ínfero-medial

As estruturas palpáveis de interesse no quadrante ínfero-medial (D) são:
– Cóccix
– Pontos gatilho miofasciais
– Ligamentos
Os quadros clínicos mais frequentes são: coccidínia (dor cóccix), disfunção crônica de assoalho pélvico, lesão do plexo sacral e os tumores do sacro.

COCCIDÍNIA
Leia mais: DOR NO COCCIX TEM TRATAMENTO

O cóccix frequentemente está envolvido na dor perineal crônica.Os fatores etiológicos a serem considerados são excessiva mobilidade (hipermobilidade), luxação posterior do cóccix / subluxação posterior, luxação anterior (menos frequente) e causa indefinida ( nestes casos, é essencial a avaliação dos pontos de gatilhos miofasciais).

Para uma conduta individualizada é essencial radiografias dinâmicas. A ressonância magnética é essencial para descartar outros diagnósticos.

DISFUNÇÃO CRÔNICA DE ASSOALHO PÉLVICO

Leia mais:DOR PÉLVICA TEM TRATAMENTO

Condição que pode estar presente em ciclistas, jogadores de futebol, em situação pós trauma pélvico, mulheres pós gestação. Existem inúmeras causas para dor pélvica crônica, dentre elas a síndrome dolorosa miofascial dos músculos coccígeo e levantador do ânus associada a disfunção do ligamento pubococcígeo.

LESÃO DO PLEXO SACRAL-COCCÍGEO

O indivíduo evolui com sintomas neurológicos devido lesão de nervo periférico ( sensação de formigamento, dormência, choques, queimação, fraqueza, alteração reflexos, entre outros). Nestes casos é essencial suspeitar de compressão extrínseca por neoplasia ou endometriose. A investigação inclui eletroneuromiografia e ressonância magnética da pelve.

TRATAMENTO DA DOR PÉLVICA CRÔNICA 

O plano terapêutico de reabilitação – Fisiátrico – deve ser o mais individualizado possível, após definir quais estruturas estão envolvidas na dor espástica. A definição dos fatores etiológicos permite o adequado delineamento do tratamento eficaz.

Recursos no Tratamento
da pessoa com dor


 POSSIBILIDADES TERAPÊUTICAS

  • Abordagem dos fatores psicológicos: existem fortes evidências sobre o envolvimento de processos cognitivos e emocionais no processamento da dor. A ansiedade, depressão e enfrentamento de adversidades devem ser avaliados e tratados, pois pioram e prolongam a dor crônica.

  • Perda de peso corporal: obesos e sobrepeso possuem risco aumentado para dor glútea crônica.

  • Analgesia: utiliza-se o raciocínio da abordagem terapêutica da dor crônica. Escolhe-se antinflamatórios não esteroidais quando a dor glútea tem um componente inflamatório. Deve-se ficar atento ao risco de complicações gastrintestinais. Casos selecionados podem ser beneficiar de opioides.

  • Neuromoduladores: os medicamentos das classes de antidepressivos e anticonvulsivantes podem ser utilizados para reduzir a sensitividade central na percepção da dor, controle da ansiedade e sintomas depressivos, melhora arquitetura do sono, entre outros efeitos. Bloqueadores de canal de sódio, como a lidocaína, pode ser usada para diminuir a sensitividade térmica, química e mecânica da dor neuropática.

  • Bloqueio de nervo periférico: O bloqueio de nervo possui caráter investigatório e terapêutico, Usa-se neurolíticos em casos de doença incurável.

 

 

 

 

 
 
  • Estimulação magnética transcraniana: utiliza um estímulo magnético para restabelecer o funcionamento cerebral. Está indicado em casos de depressão refratária, transtorno afetivo bipolar, transtorno de ansiedade, fibromialgia, cefaleia, neuralgia do trigêmeo, lombalgia, zumbido, sequela de AVC.

  • Neuroestimulação  sacral: a estimulação elétrica de raízes sacrais altera os reflexos neurais na pelve por modulação da condução nervosa regional em distúrbios vesicais funcionais e até mesmo incontinência motora refratária.

 

 
  • Terapia por Ondas de Choque: possui efeito de bioestimulação, tanto em pontos miofasciais quanto em articulações e locais de inserção muscular (entesites).

 
  • Inativação Miofascial: os pontos dolorosos ( pontos de gatilho) podem ser liberação com técnica especial com injeção de anestésicos. Esta inativação pode ser associada a compressão isquêmica por digito pressão.

 
 
Weiss
Digitopressão e alongamento dos músculos do assoalho pélvico
  • Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP): pode ser indicada para assitir o alongamento do músculo do assoalho pélvico encurtado através da inibição nervosa, o que melhora a propriocepção do paciente para realizar o alongamento ativo da musculatura.

  • Treino de relaxamento com biodeeback

Meios Físicos: aquecimento local dos músculos superficiais associada a massagem

  • Correção postural: a má postura e longos períodos na posição sentada são fatores de risco para o espasmo da musculatura lombopélvica. Além disso, alterações em toda a extensão da coluna podem comprometer a articulação sacroilíaca e os músculos nela inseridos. O Alongamento e encurtamento destes músculos impedem a manutenção adequada do tônus, propiciando a hipertonia e a formação de pontos de gatilho.
 

 

 
 

Procedimentos de Reabilitação 

– Infiltrações articular no segmento doloroso: nos casos de hipermobilidade e luxação Infiltrações na ponta do cóccix: nos casos de espícula (geralmente são necessárias 2-3 aplicações)

– Acupuntura

– Inativação dos pontos gatilhos Miofasciais comprometidos Bloqueio Neuromuscular com Toxina botulínica

– Bloqueio Terapêutico

O bloqueio é realizado com a colocação de uma agulha próxima ao nervo ou à estrutura responsável pela dor (articulação, ligamento e músculo). O agente terapêutico atua inibindo a (bloqueando) a chegada de dor no cérebro, diminuindo a dor, com duração variada.

Pode-se realizar bloqueio de plexo lombar, bloqueio articular, bloqueio nervo ciático, bloqueio gânglio ímpar, bloqueio sacroilíaco, bloqueio de gatilho muscular, bloqueio de raízes nervosas

Os agentes utilizados no Bloqueio Terapêutico são: 

  • Agente anestésico: anestésicos locais são medicamentos que agem nos nervos e impedem a transmissão da dor. Podem ser associados a anti-inflamatórios quando há a indicação de reduzir o processo inflamatório.
  • Agente neurolítico químico: álcool e fenol são medicamentos que atuam nos nervos e param a transmissão nervosa. (técnica muito utilizada em pacientes com câncer).
  • Agente neurolítico físico: radiofrequência é a mais utilizada.

Tratamento por Ondas de choque para dor nas nádegas

Observa-se o efeito regenerativo após 90-100 dias da aplicação das ondas de choque. No entanto, obtém-se um efeito analgésico após as primeiras sessões.

Atenção: Na fase inicial, os procedimentos de inativação miofascial e alongamento podem ser dolorosos. Conforme o tratamento prossegue, o músculo vai relaxando e o desconforto reduz significativamente.

No entanto, ressalto que o melhor procedimento é aquele realizado no momento certo e com a indicação precisa e individualizada. Os procedimentos minimamente invasivos representam um das etapas do programa de reabilitação do paciente, mas não a única.

Deste modo, eles são uma das ferramentas para o sucesso do plano terapêutico de reabilitação do paciente, que após o procedimento, consegue iniciar os exercícios terapêuticos de alongamento e fortalecimento, restabelecendo a função, modificando os fatores desencadeantes, os vícios posturais e as atitudes antálgicas, com resultados mais eficazes.

No entanto, a realização isolada de um único procedimento, sem outras medidas preventivas, educativas e corretivas, pode não atingir o máximo de benefício para o paciente, ou até não tão duradouro quanto esperado. Por isto que faz diferença consultar um médico especializado em reabilitação e dor.

O resumo dos diagnósticos, o exame clínico e os exames complementares necessários para o diagnóstico da dor glútea estão resumidos na Tabela abaixo:

 

Diagnóstico da dor glútea
Quadrantes Diagnósticos principais Exame clínico Exames
Súpero‐medial Lombalgia aguda Lasègue RNM lombossacra
Radiculopatia Compressão axial da coxa ENMG
Dor sacroilíaca Fabere
Gaeslen
Súpero‐lateral Dor miofascial (g. máximo e médio) Pesquisa de pontos‐gatilho RNM da pelve (pacientes refratários ao tratamento)
Ínfero‐lateral Sd. dolorosa trocanter maior Lasègue RNM do quadril
Sd. piriforme Freiberg/Beatty ENMG dinâmica (FADURI)
Tendinopatias isquiotibiais Flexão joelho contrarresistência Neurografia do ciático
Ínfero‐medial Coccidínea Palpação detalhada Radiografia dinâmica cóccix
Disfunção assoalho pélvico Exame neurológico (raízes sacrais) RNM assoalho pélvico
Lesão plexo sacral ENMG

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  1. Boa noite, dra.
    Ha 10 dias venho sentindo dores no isquio direito. Eu costumo correr. Hj fazendo esteira, apenas uma leve caminhada, senti que a sor estava irradiando para a perna direita. Na verdade eu acabei de pesquisar o nome dos ossos, rs, e tenho quase certeza que é no isquio mesmo. Incomoda muito quando sento. Devo parar com a corrida ate procurar um especialista? No caso seria um ortopedista, certo?
    Obrigada.

  2. Ola Dra. Maike, meu nome é Romulo Souza. Sou fisioterapeuta pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Gerontológica, trabalho com pacientes geriátricos na Alemanha – Hamburg. Tenho uma paciente recém operada Artrodese lombar, ( Espondilolistese grau 1) com fusão de L4-S1. No pré-operatório apresentava sintomas de Lombociatalgia e Radiculopatia. Na primeira semana do pós-operário, não houve problemas, porem a partir da segunda semana, apresenta um quadro dos Quadrantes A-B Supero Medial -Lateral com Claudicação. É possível a Dra. esclarecer esses problemas?
    Muito obrigado pelos artigos e esclarecimentos postados, são ricos e ajudam bastante,
    atenciosamente,
    Romulo Souza

    • Prezado Romulo,

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Neste caso é difícil esclarecer este quadro sem avaliação presencial. A qualidade da marcha, a presença de pontos de gatilhos miofasciais, a disfunção sacroilíaca e a fibrose cicatricial podem estar envolvidos na etiologia deste quadro de dor. Você gostaria de contratar uma consultória com a Dra Maike?

      Att. Equipe Dor Tem Tratamento

  3. Olá Dra. Sou a Fania Ribero 29 anos tenho uma filha de 7 anos foi parto normal e há mais ou menos 7 dias tenho dor no glúteo máximo esquerdo na região superior foi de inicio insidioso e impede-me de sentar fazer exercício e permanecer de pé.já. não sei o que fazer orienta-me por favor.

    • Prezada Fania,

      Obrigado por compartilhar a sua história e pelo interesse no assunto.

      É importante que seja realizado uma exame biomecânico para avaliar o seu quadro de dor persistente. É importante que seja um profissional experiente e especializado no tratamento de dor. Recomendo que assista o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=8N2AE8_cZ40 , para identificar o tipo de dor que sentes.

      Att. Equipe Dor Tem Tratamento

  4. ola Dr., sou Ana paula tenho 35 anos, e tenho hernia de disco desde os 18 anos, passei por 3 gravidez, sofri nas 3 gravidez, principalmente na ultima q vai fazer 11 meses, a dor q sentia na pelve era insuportavel, so q antes desta ultima gravidez fiz exames ,q constatou hernia de disco na l4, l5, l1 e ttendinopatia nos dois gluteos minimo, por sua vez fiquei muito frustrada pois o medico q passei nao deu nenhuma importancia ao resultados dos exames nao dando nenhum tratamento, logo apos engravidei e acabei tendo um parto normal q nao sei se agravou mais a minha condicao, so sei q ultimamente sinto dores no modo q me deito e tenho q procurar uma postura correta para nao sentir dor, como perdi peso apos a gravidez esta bem melhor q antes, o q me preocupa se eu nao fizer um tratamento adequado isto podera se agravar?

    • Boa Noite Ana Paula
      Agradeço o seu comentário.
      A gravidez realmente produz inúmeras alterações biomecânicas para facilitar a passagem do bebê pela pelve. Por exemplo, o nosso corpo libera um hormônio chamado relaxina, produzido pelo corpo lúteo e pela placenta. A Relaxina produz um amolecimento das articulações pélvicas e das suas cápsulas articulares, o que dá a flexibilidade necessária para o parto, pois provoca o remodelamento do tecido conjuntivo, o que diminui a união dos ossos da pelve e alarga o canal de passagem do feto. Além disso também tem ação importante no útero, por distendê-lo a medida que o bebê cresce.
      Há inúmeras estratégias de tratamento para prevenir novas crises de dor incapacitante. Procure um médico Fisiatra da sua confiança, com experiência em casos semelhantes e em dor lombar e pélvica.
      Espero que você melhore cada dia mais.
      Dra Maike Heerdt

      • Muito obrigado doutora pela resposta, assim que eu puder vou contatar um especialista, ou ate quem sabe ve qto fica o tratamento pela sua clínica.

        Obrigado!!!!

        Um abraço!!!

  5. Olá Dra. Maike, Meu Nome é João Rizzo, sou médico e ha 16 anos trabalho no diagnóstico e tratamento da dor crônica e cuidados paliativos aqui em Porto Alegre. Gostaria de parabeniza-la pelo conteúdo e qualidade das informações que disponibiliza à população e aos colegas! Espero um dia encontro-la pessoalmente e trocar informações em nossa área! Obrigado

    • Boa Tarde Dr João Rizzo.
      Agradeço o seu comentário.
      Sou uma entusiasta pelo estudo da dor e neuromodulação, bem como hábitos saudáveis.
      Fico muito feliz em conhecer outros profissionais também apaixonados por esta área.
      Maike Heerdt