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abr 23

DOR E DEPRESSÃO – Qual a relação?

Dor e depressão andam de mãos dadas , sempre falo isso para os pacientes.  A depressão pode preceder a ocorrência da dor crônica, ser conseqüência da dor persistente ou pode ser um evento biológico concomitante com a dor crônica.

O sucesso do tratamento depende que o médico compreenda a relação entre dor e depressão.

O sucesso do tratamento depende que o médico compreenda a relação entre dor e depressão.

A relação entre dor e depressão fica ainda mais fácil de ser entendida quando lemos o conceito de dor da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP):

 

“Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano.

Uma vez que a experiência de dor crônica pode tornar-se uma condição potencialmente incapacitante. Com muita frequência observa-se sintomas depressivos na pessoa com dor crônica, na qual a dor persiste ao longo dos dias, meses e anos. Associado a isso, a depressão pode também aumentar a intensidade da dor e da incapacidade, bem como perpetuar a disfunção relacionada a dor.

A dor e depressão estão relacionadas por inúmeros eventos fisiológicos de resposta ao estresse

Dor e depressão estão relacionadas por inúmeros eventos de resposta ao estresse.

Deste modo, é fácil compreender como tratamentos de neuromodulação para a dor também podem ser usados para o  tratamento da depressão e vice-versa, como é o casos dos antidepressivos, estimulação magnética transcraniana, prática de exercícios físicos e até mesmo a aplicação de toxina botulínica.

Ressalto que a depressão é a segunda condição mais frequente em pacientes com dor, ficando atrás apenas da insônia. As pessoas que sentem dor e depressão podem apresentar raiva, irritabilidade, hostilidade, comprometimento da memória e atenção, ansiedade, falta de esperança, medo de movimento, catastrofização e aumento da atividade do sistema nervoso simpático.

A persistência da dor desencadeia inúmeros pensamentos automáticos.

A persistência da dor desencadeia inúmeros pensamentos automáticos e comportamentos reativos.

Outros fatores  que também parecem relacionados a cronificação da dor são a insatisfação consigo mesmas, com as suas vidas. Problemas conjugais ou conflitos com parceiros no trabalho.

 

Observa-se que uma parcela das pessoas que sentem dor e depressão por tempo prolongado aprendem uma sensação de desamparo. O termo desamparo aprendido (do Inglês “learned helplessness”) foi criado por Martin Seligman  para designar o comportamento . Noqual a pessoa aprendeu que não pode controlar a situação e, portanto não toma ações para evitar o estímulo negativo. Nesta visão, a depressão resulta de uma falta de controle percebida sobre o resultado de uma situação.

Geralmente estes pacientes percebem as adversidades (por exemplo, a dor e depressão) como algo permanente (“eu SEMPRE sinto dor, eu NUNCA vou melhorar, eu SOU estragada, Eu SOU Maria das Dores”)  e universal (“TODOS os médicos são iguais, NINGUÉM entende o meu sofrimento, eu já fiz de TUDO”). Logo eles  não se queixam mais, imaginam que nada é capaz de ajudá-los e não tomam atitudes para a mudança.

Outra questão relevante e pouco lembrada é que estas condições, dor e depressão, produzem uma reação de resposta inadequada ao estresse, com alterações hormonais (neuroendócrinas) e consequente reação de catabolismo muscular.

 

Eu, inclusive, cheguei a perder 4 kilos de massa muscular após uma dor persistente em região sacroilíaca.

Este mecanismo de alterações hormonais estão descritas e esquematizadas na postagem: COMO O ESTRESSE E A DOR AFETAM NOSSO CORPO.

A persistência do estresse pode desencadeiar reações fisiológico no nosso corpo, dor e depressão.

A persistência do estresse pode desencadear reações fisiológico no nosso corpo, dor e depressão.

Unexplained Painful Physical Symptoms in Patients with Major Depressive Disorder: Prevalence, Pathophysiology and Management.

Diante deste contexto, é fundamental questionar ao paciente com dor sobre: a redução da qualidade do sono, alteração de humor, alteração do apetite, diminuição da performance ocupacional e comprometimento capacidade de concentração, anergia, anedonia, inatividade, diminuição da libido, fadiga, ansiedade, uso inadequado de medicações e drogas, ideação suicida, alterações comportamentais, alterações sociais, preocupações financeiras, preocupação com sintomas somáticos como epigastralgia, formigamentos e etc.

Enfatizo que a presença de dor e depressão não deve desviar o médico da consideração para com o diagnóstico e tratamento de problemas dolorosos específicos.  O médico, que se propõe a tratar pessoas com  dor crônica, deve examinar o paciente de modo global.

Bem como deve levar em consideração que o estresse, o medo, a ansiedade e a duração da dor, experiências prévias e atuais interferem na liberação de substâncias que reduzem a dor (sistema opióide)  e consequentemente intensificam a experiência doloroso, criando um ciclo vicioso DOR e DEPRESSÃO-DEPRESSÃO e DOR. Esta relação torna essencial o tratamento de ambas as condições: Dor e Depressão, para o sucesso do tratamento.

Neuroinflammation and Comorbidity of Pain and Depression

 

Entender a relação Dor e Depressão é essencial para o sucesso do tratamento. Desconfie de Soluções mágicas e fáceis, é melhor dar passos curtos e lentos no caminho certo para alívio da dor.

O Fisiatra toca naquilo que dói mais, uma limitação, um potencial não atingido, uma vida que deixou de ser vivida na plenitude.

O Fisiatra toca naquilo que dói mais, uma vida que deixou de ser vivida na plenitude.

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Uma Medica Fisiatra apaixonada em buscar soluções para pessoas que sentem dor persistente, para alcançar uma vida mais plena e saudável. Entusiamada em difundir as inúmeras possibilidades de tratamento da dor e da neuromodulação numa abordagem da medicina integrativa. Atuação em reabilitação interdisciplinar da dor, bloqueios neuromusculares e procedimentos minimamente invasivos em dor.

Formação em saúde: Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina. Residência Médica em Medicina Física e Reabilitação pela Universidade de São Paulo. Pós- Graduada em Acupuntura e em Dor pelo Centro de Dor da HCFMUSP. Título de Especialista em Fisiatria pela Associação Médica Brasileira. Atuação em reabilitação interdisciplinar da dor, bloqueios neuromusculares e procedimentos minimamente invasivos em dor.

2 comentários

  1. Cláudio Spíndola

    Muito esclarecedor suas palavras.tenho 44 anos,sofro neuralgia nervo pudendo desde os 20 anos,era ciclista.sofro muito.aqui no HC em Curitiba,só me receitam metadona e gabapentina.fuibapisentado pela dor.nao aguento mais,não sei mais o que é viver.tomo Dobrarem e Rivotril a noite.ganho pouco.vc pode me ajudar? Obrigado dra.

    1. Maike Heerdt

      Boa noite Claudio
      Agradeço a sua coragem em expor a sua história aqui no blog. Você já leu o post De dor pélvica crônica?
      O blog é uma forma de empoderar e esperanças pessoas que sentem dor crônica, como uma forma de servir. A Dra Maike acredita na importância de disseminar o conhecimento. Entretanto, o principal agente de mudança é você. Assuma a responsabilidade por cuidar do ser corpo e procure novas possibilidades de tratamento.
      O programa terapêutico Mindfulness- Dor tem tratamento é uma possibilidade de tratamento. Você já leu sobre o efeito do treinamento mental de mindfulness na dor neuropática?

      atenciosamente,
      DOR TEM TRATAMENTO

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