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nov 29

DICAS PARA APROVEITAR MELHOR A CONSULTA MÉDICA

“Você está sentindo dores e há tempos procura uma brecha na agenda para marcar uma consulta. Enfim, consegue. Vai ao médico, responde às perguntas sem muita precisão; afinal, você deixou vários compromissos de lado para ir até lá. Ouve, sem dar muita atenção às recomendações do médico, sai do consultório com a prescrição de alguns medicamentos e objetivos de um plano de reabilitação. Semanas depois, você encontra essas solicitações em meio às revistas que estavam no banco do carro…”

 

É essa a relação que você tem com o seu médico? Ou melhor, com a sua saúde? Então cuidado, porque, ao “boicotar” um tratamento ou a realização de um exame, o maior prejudicado é você. “O paciente é co-responsável pela sua saúde. O médico faz a parte dele, que é diagnosticar e propor o tratamento, o que corresponde à metade do trabalho. Os outros 90% ficam por conta do paciente, ao aderir ao tratamento e seguir as recomendações”,

Seja por conta do pouco tempo da consulta ou por ter uma agenda lotada, o fato é que cada vez mais as pessoas relegam a saúde para o segundo, terceiro, último plano. São raros os casos de pacientes que vão até o médico como atitude preventiva, só para fazer um checkup e saber se tudo vai bem.

Escolha do médico

O hábito de olhar o livro do convênio e selecionar um profissional por comodidade ou indicação é um engano. É preciso buscar informações sobre o médico: onde ele se formou, que treinamentos e especializações fez, que casos costuma tratar. “O paciente precisa ter essa atitude crítica porque é a escolha da pessoa que vai tomar conta da sua saúde por uma consulta ou pela vida toda”.

Antes da consulta

Não sinta vergonha de fazer uma lista com todos os sintomas que o fizeram marcar consulta. Em caso de dor, por exemplo, vale anotar qual a intensidade, há quanto tempo existe, como e se desaparece.
Leve os exames realizados e, se for levar vários, separe-os em ordem cronológica para facilitar o entendimento do médico. “É muito bom ver o paciente com a lista. Isso é uma prova de que ele parou por cinco minutos para pensar na sua saúde”.

Durante a consulta

 

Cabe ao médico ser claro em sua explicação e ao paciente, questionar e esclarecer todos os pontos que não tenha entendido. Acreditar que o médico fala e o paciente apenas ouve é uma atitude que já faz parte do passado. Não se pode ser passivo na consulta; afinal, é a sua saúde que está em discussão. “É preciso questionar, querer saber os porquês”.

Na hora da consulta, muitas vezes, o paciente faz uma seleção do que quer ouvir, por medo ou angústia, uma vez que as informações tratadas naquele momento podem ter impacto até o fim de sua vida, no caso de uma doença crônica, por exemplo. Não tenha medo nem vergonha de mostrar que não entendeu algo. “O mais importante é não sair com dúvidas do consultório”.

Para desvendar o que o médico diz

Durante a consulta, muitas vezes os profissionais da saúde utilizam termos técnicos difíceis de entender. Se isso ocorrer, não hesite em pedir explicações. “O paciente não tem obrigação de conhecer a linguagem médica. Na dúvida, peça que o médico fale de forma mais simples e objetiva. A comunicação tem que ser clara”, explica a psicóloga. Você pode pedir ao médico que indique livros ou sites em que possa encontrar mais informações sobre seu problema.

Medicamentos

 

O primeiro passo é entender o que foi prescrito e como deve ser ingerido. Se a letra do médico for difícil de decifrar, não tenha vergonha e pergunte. Há medicamentos que devem ser tomados em horários específicos porque o efeito é melhor; outros que não podem ser ingeridos com sucos ou leite, ou ainda antes ou depois das refeições. Questione os possíveis efeitos colaterais e as principais indicações do remédio.

“Não dá para sair do consultório com uma lista de medicamentos sem saber para o que servem e deixar para o farmacêutico desvendar o que o médico prescreveu”. Muitos pacientes não tomam os medicamentos de forma correta, seguindo horários e doses adequadas, o que compromete – e muito – o tratamento.
Não dá para sair do consultório com uma lista de medicamentos sem saber para que servem e deixar para o farmacêutico desvendar o que o médico prescreveu

Pedidos de exames

Boa parte dos pacientes não realiza os exames porque sai da consulta sem entender a real necessidade de fazer o exame complementar. Cabe ao médico explicar qual o objetivo dos exames, o que ele espera encontrar no resultado, quais as possibilidades levantadas com relação às queixas do paciente e o que pode ser feito de acordo com o resultado.

“Se o paciente sentir-se informado, provavelmente vai realizar os exames e seguir as recomendações médicas, porque terá a prova de que é importante o que o médico lhe pediu que fizesse”.

Adesão às recomendações

A forma como o médico conduz a consulta resultará diretamente na adesão ou no declínio do paciente quanto ao tratamento. “Se o paciente sair com todas as dúvidas esclarecidas, vai sentir-se seguro para aderir às recomendações”.

O paciente tem que confiar em seu médico e tê-lo como parceiro. Seguir as recomendações à risca é fundamental para o sucesso do tratamento.

Se o paciente sair com todas as dúvidas esclarecidas, vai sentir-se seguro para aderir às recomendações”

Fontes de qualidade

Hoje há diversos canais de comunicação que abordam temas relacionados à saúde. Sites, revistas, programas de TV e jornais. É preciso, porém, ter senso crítico na hora de absorver informações. “Fuja de dietas ou procedimentos milagrosos. Os médicos perdem muito tempo nos consultórios explicando a seus pacientes que a informação lida em uma revista ou no telejornal não foi explicada da forma correta”.

As informações devem ser buscadas em sites de centros de pesquisas, hospitais, livros publicados por médicos e pesquisadores. “Uma busca na internet pode trazer mitos e verdades sobre o que se procura. Saiba selecionar para não se desinformar”.

Como funciona o retorno médico?

Uma dúvida muito frequente no dia-a-dia do consultório é pertinente aos retornos médicos. Como eles funcionam? Esta dúvida é tão frequente que o Conselho Federal de Medicina elaborou uma resolução para explicar o processo :

“De acordo com a norma do Conselho Federal de Medicina, a consulta médica é constituída por entrevista do histórico do paciente, exame físico, elaboração de hipóteses ou conclusões diagnósticas, solicitação de exames complementares quando necessário e prescrição terapêutica.

Quando houver necessidade de que o paciente se submeta a exames cujos resultados não podem ser apreciados na consulta, o médico poderá ter continuidade em um segundo encontro, que deverá ocorrer dentro de prazo fixado (30 dias).

No entanto, havendo alterações de sinais e sintomas que requeiram nova entrevista, exame físico, formulação de hipóteses ou conclusões diagnósticas e prescrição terapêutica o procedimento médico será cobrado nova consulta e deverá ser remunerado. Nos casos de condições que exigem tratamento prolongado, com reavaliações e modificações terapêuticas, as consultas poderão ser cobradas. “



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